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Centro Acadêmico Livre de Jornalismo Adelmo Genro Filho

CALJ leva o nome de Adelmo Genro Filho PDF Imprimir E-mail
Escrito por CALJ - Centro Acadêmico Livre de Jornalismo   
Sex, 02 de Maio de 2008 18:55

O jornalista, autor da Teoria da Pirâmide Invertida, foi professor na UFSC 

Sample ImageMesmo após sua morte em 1988, Adelmo Genro Filho continua sendo lembrado, especialmente pelos professores e amigos da UFSC. O C.A., batizado com o nome do jornalista, também preserva a memória deste intelectual, defensor das idéias marxistas, que escreveu a célebre obra "O Segredo da Pirâmide: para uma teoria marxista no Jornalismo", entre outros livros políticos. Adelmo foi o introdutor da disciplina Teoria do Jornalismo no Brasil, a partir do Curso de Jornalismo da UFSC.

Na data de sua morte, o jornalista Jair Alan escreveu este emocionado artigo sobre o amigo, que foi publicado no Diário Catarinense de 16 de fevereiro de 1988.

Sample ImageUm exemplo de coragem. Adelmo Genro Filho deixa saudades pela sua determinação em combater as injustiças e pela capacidade intelectual traduzida em vária obra. A morte repentina de Adelmo Genro Filho foi um choque para todos. Memo, como o conhecíamos, foi um político atuante e jamais fez concessões às suas teses de homem de esquerda.Era admirado com ntensidade pelos amigos e os inimigos não lhe negavam respeito. Sua inteligência era capaz de embaraçar o mais ilustre palestrante. O raciocínio lógico e a cultura adquirida foram as bases que permitiram com que tivesse condições de debater qualquer assunto.

Tínhamos a mesma altura, quase o mesmo porte físico, uma calva e uma miopia semelhante que faziam muita gente pensar que éramos irmãos. Sempre me vi obrigado a desfazer o engano , pois me sentia uma espécie de ladrão da imagem alheia. Minha admiração por Adelmo era enorme. Desde o tempo que estudávamos no Colégio Estadual Maria Rocha, em Santa Maria, Memo era um dos raros alunos inteligentes que não era boçal. Culto, sabia manter seu humor e compartilhar das alegrias de sua geração.

Coragem. O sobrenome Genro foi maldito durante o período militar. A família foi perseguida. Adelmo Genro, o pai, foi preso e cassado e seus filhos eram vistos como seguidores e pregadores da doutrina marxista do pai. Memo começou a se projetar quando era universitário. Era o mais brilhante aluno da comunicação e todos se concentravam ao seu redor. Éramos contra o regime e todos os nossos protestos precisavam do aval de um grupo onde Adelmo se destacava. Nada mais justo na política que ele nos representasse e foi o vereador mais votado. Não nos decepcionou. Foi líder da bancada do MDB até o racha com a formação do PTB. Na tribuna, todos os seus discursos viravam matéria de capa dos jornais locais e destaque na imprensa gaúcha.

 Sample Image  Memo sempre esteve do lado dos injustiçados e tinha uma coragem invejável. Um homem com tal inteligência precisava ser calado. Inicialmente, conseguiram impedir que ele exercesse sus profissão. Adelmo teve a coragem de denunciar a carne podre que foi servida aos universitários, no RU da universidade Federal de Santa Maria, lá por 1977. O exército exigiu sua demissão do jornal A razão. Continuou colaborando com jornais de esquerda e valia-se da tribuna da Câmara de Vereadores de Santa Maria para levar sua mensagem e sua luta.

Perseguições. Calar Memo era questão vital naquela época. E conseguiram. Quando João Figueiredo veio a Florianópolis, trocou ofensas verbais e quis partir para a pancadaria com os universitários, Adelmo subiu à tribuna para dizer que este homem não tinha condições mentais para dirigir uma nação.

   Alguém interpretou as palavras da maneira que mais convinha e o Governo processou o jovem vereador por ter chamado a autoridade (que não foi escolhida pelo povo) de "louco". O processo desgastou a imagem de Memo. Em 1982, tentou ser deputado estadual e dentro do seu próprio partido, o PMDB, houve quem dissesse a boca pequena que ele não poderia ser eleito por estar sendo processado. O fato causou uma espécie de evasão de votos e Memo não conseguiu se eleger. Ironicamente, restou-lhe ser professor em Florianópolis, onde, já no primeiro ano, foi paraninfo de turma dos formandos de Comunicação Social.

   Adelmo foi poeta. Na sua poesia, reflexos do seu engajamento político. Lançou alguns livros que são verdadeiros exemplos não só de coerência política mas de uma escrita impecável. Dói muito saber que um homem como este tenha partido sem poder ter dado tudo o que tinha para contribuir. Éramos amigos desde a infância. Timidamente estive ao seu lado, como um soldado, dizendo não ao regime que nos levou a toda esta confusão que herdamos e que sacrificou nossa geração. Dói e estou profundamente triste com a partida do meu amigo. Ninguém é insubstituível, mas é difícil imaginar alguém que o substitua a sua altura.

Fonte:
http://www.adelmo.com.br
http://www.jornalismo.cce.ufsc.br/20anos/historico.html

 Adelmo Genro Filho nasceu em 1951, em São Borja (RS). Formou-se em jornalismo pela Universidade de Santa Maria, onde participou ativamente dos movimentos estudantis. A coerência de seu discurso e a sua capacidade de liderança eram cativantes. Adelmo mudou-se para Florianópolis em 1988, quando começou a lecionar no curso de Comunicação Social da UFSC.

   Intelectual, político, defefensor das teorias marxistas e do homem como ser prático-pensante, deixou algumas de suas idéias em livros e ensaios. Entre eles aparecem Hora do Povo: Uma Vertente para o Fascismo junto com Sérgio Weigert e Marcos Rolim; Lênin: Coração e Mente, com Tarso Fernando Genro; Marxismo Filosofia Profana, e O Segredo da Pirâmide: para uma Teoria Marxista do Jornalismo, lançado em junho de 1987. Publicou, também, ensaios nas revistas Teoria & Política, Civilização Brasileira, e Praxis.

   Ele faleceu no dia 11 de fevereiro de 1988, no Hospital Universitário, em Florianópolis, onde estava internado por causa de uma varicela.

Última atualização ( Ter, 06 de Maio de 2008 19:57 )